Obediência
Pastor Ivan Nunes

 
Ele usou em uma delas os versos 1-23 de 1 Sm. Saul de escolhido de Deus passou a ser rejeitado, não porque Deus mudara, mas porque Saul afastou-se pouco a pouco da vontade de Deus. (V.11) Quando uma pessoa é chamada para a obra de Deus, ela precisa se adequar à vontade de quem o chamou. O comportamento de Saul nos mostra como é fácil para nós começarmos muito bem e terminarmos muito mal. A obstinada desobediência foi a causa da queda do Querubim Ungido e continuou sendo a causa da ruína de muitos profetas, reis, sacerdotes e outros personagens descritos na Bíblia e na história de um número expressivo de pregadores do evangelho, que teimaram e teimam em não observar as lições aprendidas na palavra de Deus.

O fato de alguém ser chamado não lhe dá o direito à autonomia. O conceito de liderança no mundo contemporâneo não é o mesmo do ensinado na palavra de Deus. O líder no sistema mundano precisa ser, competitivo, agressivo, trazendo o resultado estrategicamente pré-estabelecido à sua corporação. Ele precisa ser pragmático, dando prioridade aos interesses previstos e não humanos. O conceito de liderança para Jesus é que o líder deve ser escolhido para servir aos outros.

O líder é empregado do Senhor Jesus, prestando serviço à sua igreja. O que vemos hoje, no entanto, é uma absoluta inversão disso, pois quando observamos um homem que se intitula ministro, isto quer dizer que ele é proeminente, que ele está ali para ser servido. Que ele é quem manda. Que precisa ser obedecido a qualquer custo. Que sua autoridade é infalível. Que ele é absoluto, não obedece e não precisa ouvir a mais ninguém. Que ele pode fazer e dizer o que quiser. Desta forma, a manipulação do povo torna-se fácil, pois as pessoas são manipuláveis.

Se somos membros de uma igreja, então temos chamado e este chamado é para servir ao Senhor e não prestarmos culto e obediência burra a líderes que desejam que o povo os sirvam, como os súditos serviam aos monarcas do mundo antigo. No verso 1º entendemos que: “Quando o Senhor dá autoridade a uma pessoa, esta autoridade deve ser usada por Ele.” Um dom, um ministério, um encargo, ou um chamado devem ser para a glória de Deus.

Qualquer promoção pessoal do dom é manipulação para a pessoa. Qualquer uso para promover glória pessoal é fora dos propósitos do dom recebido de Deus. O dom na igreja é um serviço ao Senhor, qualquer cargo é uma comissão divina e ninguém tem o direito de usar este cargo para buscar sua vontade própria.

Quantos usam seu ministério para promoção pessoal, satisfazendo sua ambição de destaque e criando um reinado para si. Quantas igrejas são divididas e dizimadas, porque alguém achou que podia ou deveria ter seu próprio “pedaço”? Nos VS. 2,3 encontraremos: “Se o Senhor escolhe alguém, esta pessoa precisa mais do que nunca mostrar obediência.” O Senhor diz a Saul: “Eu decidi…” depois diz: “…agora vai, pois…” Esta é a tarefa de uma pessoa chamada- executar a palavra de outro. Se for do Senhor é do Senhor. Se for do pastor, movido pela palavra de Deus, então, é do pastor.

O chamado para a obra seja obreiro, diácono ou diaconisa, presbítero, missionário e até mesmo um pastor está executando a ordem de alguém. A palavra superior é do Senhor, porém, sempre há alguém que deve obedecer. Quantas palavras temos no novo testamento sobre obedecer? “se submeterem uns aos outros…, obedeçam uns aos outros…, advirtam uns aos outros…, cooperem uns com os outros…, honrem uns aos outros…” O que devemos entender de uma vez por todas, é que não existem pessoas, ou não pode haver pessoas autônomas na igreja que estejam livres de obedecer.

No verso 13 encontraremos o seguinte: Se o Senhor escolhe alguém esta pessoa precisa ser íntegra. Saul, quando vê a Samuel se orgulha de sua obediência. Porém, era uma máscara para esconder sua falsidade e desobediência. As palavras de saudação de Saul são lisonjeiras, são convenientes, mas enganosas. A integridade de caráter de uma pessoa revela sua real estatura espiritual. Saul se revelou um guerreiro de primeira grandeza, pois foi para a guerra e venceu os inimigos.

Saul, também se revelou um grande líder, pois convenceu o povo sobre o seu plano de poupar o rei inimigo e ainda guardar os melhores animais, mas não revelou integridade em seu caráter. Um grande potencial, um carisma arrebatador não pode substituir um caráter íntegro exigido por Deus da pessoa que serve ao Senhor Jesus. Saul foi polido e diplomático, mas falso. A saudação dele nos lembra muitas outras que nossa memória traz, mas que somente na hora da prova é que a verdadeira face aparece atrás de muitas máscaras.

Nos VS. 22,23, encontraremos: Se o Senhor escolhe alguém Ele espera sujeição a sua vontade. A humildade e a obediência à vontade de Deus é a ação mais agradável e aceitável por ele a nosso respeito, do que todos os cultos e festas que venhamos prestar. A conformidade com sua palavra e a submissão a Deus e aos líderes que Ele constitui sobre nós são leis para nossa vida. Era muito mais fácil para Saul trazer um cordeiro e queimá-lo em sacrifício do que dispor seu próprio coração a sujeitar-se as ordens de Deus.

Até hoje é assim, é muito mais fácil ir ao culto, cantar, levantar as mãos, dobrar os joelhos em oração, ofertar e dizimar do que se dispor a obediência. A verdade é que, quem não está disposto a ser governado, liderado, mentoriado, ou sujeito a alguém, não está apto nem digno de governar, liderar, mentoriar ou estar a frente de ninguém.

Reflitamos, pois este é o ano em que profetizamos obediência para a vida de nossa denominação. “Sacrifício e oferta não quiseste, mas as minhas orelhas furaste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.” Sl 40.6.

Fonte: www.conselhonacional.org.br




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